quinta-feira, 31 de março de 2022

Filme de abertura do É TUDO VERDADE 2022 revela o poder do olhar através do cinema

 


O filme de abertura do 27º Festival Internacional de Documentários 'É Tudo Verdade' é o ensaio cinematográfico 'A História do Olhar' de Mark Cousins. O longa terá sessões presenciais e online, sendo exibido hoje, às 20h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta (SP) e, às 21h, na Plataforma É Tudo Verdade Play, com limite para 1.500 visionamentos. O filme também será exibido dia 01/04, às 14hs, no Instituto Moreira Salles (RJ).


O documentarista britânico, autor da saga audiovisual 'A História do Cinema', que também está lançando um novo episódio 'A nova geração' no referido festival, apresenta em 'A História do Olhar" suas reflexões sobre a experiência visual na vida dos indivíduos e da coletividade como um todo. Às vésperas de uma cirurgia oftalmológica, Mark relata suas angústias sobre a possibilidade de não poder enxergar o mundo como ele o conheceu. Volta-se para dentro de si, buscando entender o processo visual através da mente e da alma, de nossa percepção de mundo, de nossas projeções e percepções, e não apenas através dos olhos físicos.



O filme foi rodado durante o período mais crítico da pandemia do Covid-19 e da obrigatoriedade do distanciamento social, quando o uso da internet e das redes sociais era o meio mais seguro de se ter contato com as pessoas. Mark usa de imagens de arquivo, desnuda-se perante a câmera de seu quarto, olhando através da janela o mundo exterior. Nessa reflexão sobre a construção das imagens e o poder que elas têm sobre nós, vasculha esse mundo visual através da fisiologia das imagens, dos borrões da memória, do cotidiano das cidades, da arte e da história do cinema.


Movimento, cores, luz, sombra, o preto e o branco. O que nossa percepção visual nos permite enxergar e entender sobre o mundo em que estamos inseridos? Do visual preto e branco de Persona de Ingmar Bergman ao mundo colorista de Hero, do diretor chinês Zhang Yimou, com suas múltiplas nuances de tons de azul, Mark Cousins percorre a construção das imagens cinematográficas e o impacto que elas imprimiram em nossa retina, nossas lembranças visuais, sentimentos e ilusões. A busca do onírico e da beleza, o olhar que não é exclusividade daqueles que enxergam, mas também daqueles que por problemas da fisiologia ocular não conseguem enxergar, como o cantor Ray Charles. Mas não ver com os olhos físicos os torna essencialmente cegos? O que seria, na verdade, o ato de olhar? Olhar pelo espelho da alma, que muitas vezes é mais difícil de enxergar.

Qual a importância do olhar em nossas vidas? O que ele trouxe como percepção de mundo e de nós mesmos? Luz e sombra, felicidade e dor. Imagens do cinema que nos moldaram durante anos, através de ideias sobre padrões de beleza, moralidade, sentimentos e paixões. Memórias que fazem parte de nosso mundo visual, algumas chocantes e outras não.

Mark Cousins apresenta uma narrativa muito pessoal sobre suas reflexões da realidade que nos rodeia, passando pelas representações artísticas, movimentos culturais como modernismo e surrealismo, política e economia. Também observa a influência da tecnologia digital na contemporaneidade e a atual necessidade narcísica das fotografias e filmagens em selfies, alavancada pela facilidade do uso de smartphones.


Durante a construção de sua narrativa, o cineasta aborda a percepção dos corpos humanos e dos sentimentos que eles provocaram ao longo da história, objetificados pelos voyers do passado e do presente, impregnados pelo desejo e pela punição. Busca imagens que causaram emoção não somente pela fruição, mas pela tristeza e pelo terror, como visões de acidentes, das atrocidades das guerras e dos regimes ditatoriais. Também sem esquecer da violência das desigualdades sociais, que atacam a dignidade humana, mas que não conseguem a solapar.


Ao mergulhar na narrativa do documentário "A História do Olhar" podemos compartilhar não somente das percepções do cineasta, mas de suas angústias, buscando as imagens que impregnaram o nosso olhar e história pessoal. O filme é um momento de reflexão sobre os sentimentos humanos e a percepção de mundo, que vai muito além do mundo das ilusões ou das diversas realidades cinematográficas. Vida e morte, felicidade e medo, ideologia e religiosidade. A construção do eu, que deve ultrapassar as barreiras do individualismo e enxergar além de um microcosmo, abrindo o olhar para o outro, muitas vezes ignorado pela sociedade.


Elisabete Estumano Freire


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SERVIÇO:

ITAÚ CULTURAL PLAY:

www.itauculturalplay.com.br

 

1 - Entre no site   www.itauculturalplay.com.br

2 - Clique em "Criar sua Conta" e preencha o cadastro. 

3 - Clique  no filme escolhido e boa sessão

 

 A Plataforma Itaú Play abrigará a Competição Brasileira de Curtas-metragens de 01 a 10 de abril.

 

 

 

SESC DIGITAL:

Entre no site do Sesc Digital pelo endereço

sescsp.org.br/etudoverdade e acompanhe a programação.

Não é necessário fazer cadastro.

 

A Plataforma Sesc Digital abrigará a Competição Internacional de Curtas-Metragens de 01 a 05 de abril. Com limite de 2000 visionamentos por título, exceto “Como se mede um ano?” 1000 visionamentos.


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