segunda-feira, 13 de junho de 2022

'Amigo secreto', novo documentário de Maria Augusta Ramos é um importante registro crítico da memória recente do país. Estreia 16/06 nos cinemas.

Reavivar a memória dos acontecimentos políticos com um olhar crítico é fundamental para a permanência de uma sociedade democrática, principalmente quando se está em jogo o futuro do país. É isso que a cineasta e documentarista Maria Augusta Ramos faz em seu novo trabalho Amigo Secreto, um filme que é extremamente importante para ser visto e debatido neste ano eleitoral.

O longa apresenta um percurso cronológico, a partir de 2016, dos eventos que envolveram o modus operandi da Operação Lava Jato da Polícia Federal, coordenada intelectualmente pelo então juiz Sérgio Moro e o ex-Procurador da República, Deltan Dallagnol. A prisão do ex- presidente Luís Inácio Lula da Silva, às vésperas das eleições de 2018, e a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República é analisada a partir das revelações da Vaza Jato, uma série de reportagens publicadas pelo jornalístico The Intercept Brasil. 
 
Em parceria com o jornal El Pais, e outros veiculos da grande imprensa, as investigações do The Intercept Brasil escancararam os bastidores de uma política feroz de integrantes da extrema direita contra os governos de esquerda. E colocaram em evidência a importância do retorno do jornalismo investigativo, negligenciado por muitos veículos de comunicação que se tornaram meros reprodutores das instituições, sem questionar as informações repassadas e as intenções de seus interlocutores. 

A partir da análise dos jornalistas, juristas e advogados, a documentarista pontua as contradições e o direcionamento intencional nas investigações da Lava Jato, com a utilização indiscriminada e ilegal das prisões e delações premiadas. Também mostra o crescimento das manifestações contra as instituições democráticas, principalmente o ataque ao Poder Judiciário por simpatizantes do governo e pelo próprio Poder Executivo. Faz um paralelo com os acontecimentos históricos da ascensão da ideologia nazista, e registra a interferência norte-americana no governo e nas investigações da polícia federal brasileira, mostrando como a soberania nacional vem sendo atacada.

O documentário também chama atenção para aspectos de um novo modelo de política intervencionista não mais centrada no poder das armas e da implantação de regimes ditatoriais, mas que busca brechas no jurídico e no legislativo para manter o controle político, ideológico e financeiro do país. É o chamado Lawfare, ou seja, a utilização da lei ou dos procedimentos legais como arma de guerra política, em que o direito é usado pelos agentes do sistema para atingir o inimigo.

O longa também contextualiza os acontecimentos que afligiram a nação, como a aceleração da devastação na Amazônia e a  pandemia do Covid-19. Enquanto a nação sofria com a falta de recursos nos hospitais públicos, como oxigênio e respiradores, causando milhares de mortos, o governo federal e seus ministros reagiam com descaso e falta de gestão eficaz. A prioridade era atacar seus opositores políticos, as instituições democráticas e intimidar a sociedade e os jornalistas.

A documentarista Maria Augusta Ramos, que também é diretora de O Processo e Morro dos prazeres,  filmes premiados internacionalmente em festivais em Berlim, Suíça, Portugal e Espanha, entre outros, apresenta em Amigo Secreto, um filme crítico que não analisa somente o momento político que vivemos, mas também retoma a discussão do papel da imprensa e da importância do jornalismo investigativo praticado com ética e comprometido em defender a democracia. É também um filme que nos faz refletir sobre a construção do pensamento jurídico, os perigos da degeneração do direito e seus discursos de legitimação, abalando os pilares das instituições democráticas. 

Elisabete Estumano Freire.






Sinopse 

Em 2019, a entrada do ex-juiz Sergio Moro no governo Bolsonaro e o vazamento de mensagens trocadas por ele com procuradores e autoridades abalam a credibilidade da Operação Lava Jato. Um grupo de jornalistas acompanha os desdobramentos do caso, enquanto o país mergulha em uma sequência de crises que começa a ameaçar a sua democracia. 

 

Com 

Carla Jiménez 

Regiane Oliveira 

Marina Rossi 

Leandro Demori 

 

Ficha técnica: 

Direção e roteiro: Maria Augusta Ramos 

Direção de fotografia: Diego Lajst 

Som direto: Fernando Akira 

Montagem: Karen Akerman 

Montagem adicional: Eva Randolph 

Direção de produção e pesquisa: Zeca Ferreira 

Edição de som e mixagem : Mark Glynne, Tom Bijnen 

Finalização e correção de cor: Jan Jaap Kuiper, Michiel Rummens 

Produtor executivo: Maria Augusta Ramos, Felipe Lopes, Ilja Roomans 

Produtores: Maria Augusta Ramos, Christian Beetz, Ilja Roomans, Silvia Cruz 

Uma coprodução: Vitrine FilmesZDF in association with ARTE  

Uma produção: Nofoco Filmes, GebroedersBeetz Filmproduktion, Docmakers 

Patrocínio: IREE, Grupo Prerrogativas 

Esse filme teve apoio de: Netherlands Film Fund e The Netherlands Film Production Incentive 

Apoio: Fenae, Trupe do Filme 




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