segunda-feira, 2 de agosto de 2021

'ANA, sem título', novo filme de Lucia Murat, em cartaz nos cinemas

 



O documentário-ficção, 'Ana. Sem título', dirigido por Lúcia Murat, que teve sua première no Festival Internacional de Cinema de Moscou, está em cartaz desde o dia 29 de julho nos cinemas. O longa, que foi selecionado para a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, apresenta a trajetória de uma artista plástica brasileira, símbolo de resistência e liberdade dos massacrados pelo regimes militares e ditatoriais da América Latina. 

A história de Ana surgiu a partir das investigações de Stella, atriz que decidiu fazer um trabalho de pesquisa sobre as cartas trocadas entre artistas e ativistas latino-americanos e com atuação política entre os anos 70 e 80. Com a ajuda de Lúcia Murat, Stella tenta descobrir quem era Ana e o que aconteceu com a artista. Juntas, elas entrevistam pessoas que conviveram com a brasileira e descobrem registros inéditos. Stella viaja para Cuba, México, Argentina e Chile, onde se depara com outras histórias de desaparecidos políticos e tem um encontro com as mães da Praça de Maio, na Argentina.   

Livremente inspirado na peça "Há mais futuro que passado", o filme é um road-movie construído de modo delicado, trabalhando com a noção de qual o limiar entre o real e o imaginário. O filme nos traz a seguinte reflexão: Será que nós conseguimos distinguir quando o imaginário se torna tão factível quanto o real, espelho refletido de uma memória ainda obscurecida pelo não dito, pelas dolorosas experiências vividas por aqueles que foram silenciados pela violência?

Com argumento de Lúcia Murat e roteiro em parceria com Tatiana Salem Levy, o documentário apresenta a figura de uma personagem central, pensada como símbolo de uma realidade histórica. O referencial é a memória dolorosa de um povo, de um continente marcado pela violência das ditaduras militares na América Latina. Deste modo, a diretora faz uma viagem no espaço-tempo em que o hoje e o ontem se entrecruzam, para relembrar um passado tenebroso, tentando alertar e evitar que ele se repita no futuro. 

O longa é inspirador e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o exercício do poder conscientizador que se pode obter a partir do fazer cinematográfico.


Elisabete Estumano Freire. 



FICHA TÉCNICA 

Direção e argumento: Lucia Murat 

Roteiro: Lucia Murat e Tatiana Salem Levy 

Produção: Lucia Murat e Felicitas Raffo 

Direção de fotografia: Léo Bittencourt 

Montagem: Mair Tavares e Marih Oliveira 

Som direto: Andressa Clain Neves 

Edição de som: Simone Petrillo e Ney Fernandes 

Trilha sonora: Livio Tragtenberg 

Mixagem: Emmanuel Croset 

Livremente inspirado na peça “Há mais futuro que passado” 






Fonte: Primeiro Plano - Anna Luisa Muller/ Marcela Salgueiro



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