terça-feira, 19 de março de 2019

Filme 'Pastor Cláudio' revela crimes da Ditadura de 1964


Dirigido por Beth Formaggini, documentário traz novo depoimento do ex-delegado Claudio Guerra sobre desaparecidos políticos no Brasil. 


Em cartaz desde o 14 de março, dia em que se completou um ano da morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, o filme "Pastor Cláudio" de Beth Formaggini revela novas informações sobre desaparecidos políticos no Brasil. Inicialmente, o filme está sendo distribuído no Rio, Niterói, BH, Aracaju, Teresina, Manaus, São Paulo, Vitória, Porto Alegre, mas deverá percorrer as demais capitais brasileiras.

Lançado no mês que se completa 55 anos do Golpe que deu início à Ditadura Civil-Militar no Brasil (1964-1985), o documentário mostra o encontro entre o Pastor Claudio Guerra, ex-delegado responsável por assassinar e incinerar corpos de opositores da Ditadura, e Eduardo Passos, psicólogo e ativista dos Direitos Humanos que trabalha no atendimento às vítimas de violência no Estado.

A cineasta e o psicólogo estiveram presentes no último dia 15/03, no Cine Arte UFF para uma exibição de "Pastor Cláudio" seguida de debate. Na ocasião, Beth Formaggini declarou que o maior desafio da equipe de produção foi se preparar para criar um dispositivo fílmico e clínico para receber o depoimento do ex-agente do Estado que cometeu violações contra os direitos humanos.

Em 76 minutos de filme, Claudio Guerra, hoje aposentado e beneficiado pela Lei da Anistia (1976), revelou não somente como eram praticados os assassinatos e ocultação dos cadáveres de presos políticos, mas falou sobre os bastidores da política de um Estado terrorista e de extrema direita. Com a abertura política, Cláudio Guerra trabalhou na Segurança Pública. Atualmente é membro de uma comunidade evangélica.

Em 2012, o ex-delegado concedeu depoimento aos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto que resultou no lançamento do livro "Memórias de uma guerra suja". A partir da obra, a cineasta conseguiu esclarecer o caso de 19 desaparecidos políticos, integrantes do Partido Comunista do Brasil (PCB), executados pela Operacão Radar (1973-1976). Foi quando decidiu ir para Vitória (ES) para realizar o filme. Beth Formaggini ilustra a entrevista com imagens de fotografias e vídeos projetados num telão, além dos nomes dos desaparecidos políticos. 

O longa apresenta dados que chocam o espectador, com a frieza dos relatos e extensão das ações de extermínio dos dissidentes políticos. Nele, Pastor Claudio revela mais informações sobre atividades terroristas no país, como a tecnologia da tortura nos aparelhos do Estado financiada por empresários, ainda em atividade. Fala também sobre perseguições, perdas, temores e garantias pessoais. 

Para Eduardo Passos, o longa filmado em 2015 tem o mérito não somente de rever a história, mas infelizmente de antecipar os acontecimentos no país a partir de 2018, em que o discurso de defesa do autoritarismo e da violação de direitos é resgatado por parte da população brasileira. "É um filme que nos ajuda a pensar sobre o passado, mas sobretudo nos permite refletir sobre o presente."

O documentário  venceu o prêmio de melhor filme no Festival de Vitória (2018) e participou dos seguintes festivais: Festival Internacional de Cinema Documental (Equador, 2018); Festival Kinoarte de Cinema 2018; da mostra Brasil em Movimento (França, 2018); Festival Internacional de Mulheres no Cinema - FimCine 2018; Festival do Rio 2017; Festival de Havana 2017; Festival Internacional de Filme Documentário do Uruguai - Atlantidoc 2017; Forum Doc BH 2017 ; e do Festival Internacional Pachamama (Acre, 2017). 

O filme é uma produção da 4Ventos Comunicação com distribuição da ArtHouse.

Elisabete Estumano Freire.


Fontes: Primeiro Plano Assessoria de Imprensa
Entrevistas com Beth Formaggini e Eduardo Passos. 

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