quarta-feira, 5 de junho de 2019

FILME 'BEATRIZ' CHEGA AOS CINEMAS DIA 06 JUNHO


Estrelado por Marjorie Estiano e Sérgio Guizé, filme de Alberto Graça aborda relações amorosas marcadas pela dominância e submissão. 


"BEATRIZ" é uma co-produção da MPC Filmes (Brasil) e Filmes do TEJO (Portugal), com direção de Alberto Graça. O filme, que estreia em circuito nacional dia 06 de Junho, narra a história de um casal que embarca na fantasia erótica de vivenciar personagens para a criação de um livro. Deste modo, Beatriz (Marjorie Estiano) se torna musa do marido e escritor Marcelo (Sérgio Guizé), mas nesse jogo de sedução termina trilhando caminhos perigosos, muitos dos quais não terão volta. 

A pré-estreia do filme, no Rio de Janeiro, foi realizado no Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo, no dia 01/06, com uma sessão especial seguida de debate com a presença do diretor, elenco, e do Dr. Antonio Geraldo da Silva (Presidente da APAL) e do psiquiatra, Dr. Eduardo Birman. O evento foi realizado  em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL), como parte do projeto CINEPSIQUATRIA ABP.

De acordo com Alberto Graça, também responsável pelo roteiro em parceria com Marcos Bernstein, Ricardo Bravo, José Carvalho e José Pedro dos Santos, o drama dos personagens é um transtorno compartilhado, que à luz da psiquiatria e psicologia é chamado "loucura a dois" (folie à deux). A ideia de realizar sessões especiais com debates, tanto em Portugal quanto no Brasil, é questionar com qualidade este tipo de relacionamento.

Durante o debate, a plateia teve oportunidade de realizar perguntas para a atriz Marjorie Estiano, o diretor Alberto Graça e os psiquiatras, Dr. Antonio Geraldo da Silva (Presidente da APAL) e o professor Dr. Eduardo Birman. O longa protagonizado por uma personagem feminina traz uma visão masculina da relação do casal, que sai do controle. Para a atriz, a personagem não é vítima do marido, mas de si mesma, pois na tentativa de controlar e manipular a relação, ela se perde. Segundo o diretor, o problema vivido por Beatriz passa pela questão do amor romântico, que se torna uma prisão e uma condicionante de sobrevivência da relação conjugal.  

Na visão da psiquiatria, a história de Beatriz e Marcelo ganha novas nuances. Para o professor Dr. Eduardo Birman, visto que os personagens são construções, fragmentos de um indivíduo completo, fica difícil criar um diagnóstico. Entretanto, para o psiquiatra a personagem Beatriz revela momentos de histrionismo (transtorno em que a pessoa apresenta habilidades para manipular os outros com o objetivo de se tornar o centro das atenções) podendo chegar a um borderline (comportamento anormal caracterizado por instabilidade nos relacionamentos interpessoais, instabilidade emotiva e na imagem de si próprio). De temperamento extremamente forte, é ela que domina o filme. A questão psiquiátrica estaria mais evidente para o personagem Marcelo, que se torna dependente de medicamentos e apresenta uma espécie de patologia dual. Dr. Birman ainda apresenta um dado alarmante: no ano passado, nos EUA, morreram mais pessoas devido ao consumo de opióides do que câncer, armas de fogo, AIDS, e acidentes de carro, somados.

Para o Dr. Antonio Geraldo da Silva (Presidente da APAL), o filme também aborda a discussão sobre estresse e trabalho, levando pacientes ao consumo de drogas. O psiquiatra chama atenção para o fato de que a segunda causa de morte por suicídio é devido ao uso abusivo de substâncias psicoativas. No Brasil, a média registrada é de 12 mil suicídios por ano. Cerca de um suicídio a cada 45 minutos. A maioria devido a problemas psiquiátricos. Por isso a importância da "Campanha Setembro Amarelo", alertando anualmente sobre a prevenção ao suicídio. 

O debate ainda contou com a participação da plateia, composta de convidados, entre estudantes, jornalistas, psicólogos e psiquiatras que estiveram presentes ao evento, realizando perguntas e considerações sobre a questão da sexualidade e psicologia dos personagens.

O longa terá uma sessão especial, com a presença do elenco, em São Paulo, dia 8 de Junho. O projeto CINEPSIQUATRIA ABP também irá percorrer outras cidades do país, com sessões do filme seguidas de debate. 

"Beatriz" participou dos seguintes festivais: Première Brasil do Festival do Rio (2015), Festin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa - Lisboa (2016), Festival du Cinéma Brésilien de Paris (2017), Brazilian Film Festival of Miami (2017).

Confira a crítica do filme Beatriz em: http://www.cabinedecinema.com/2019/06/beatriz.html

Elisabete Estumano Freire.



SHARE THIS

0 comentários:

Imprensa (3)(4)