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sábado, 18 de novembro de 2017

Documentário `HUMAN FLOW - não existe lar se não há para onde ir` estreou nos cinemas brasileiros

O filme revela a real extensão da crise global dos refugiados em 23 países, o maior deslocamento humano desde a Segunda Guerra Mundial.


Um soco no estômago. É essa a sensação que se tem ao assistir o documentário "Human Flow" - não existe lar se não há para onde ir`, do cineasta e artista chinês Ai Weiwei. O filme é um trabalho jornalístico de tirar o fôlego, mostrando a amplitude da crise internacional de refugiados, que atinge mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo. Mais que um registro, o longa é um apelo internacional sobre a situação dos refugiados, que deveria ser visto por todos os cidadãos do planeta.

Numa incansável jornada, em vários países da América, Europa, África e Ásia, em alto mar, no deserto, na região das fronteiras e nos escombros das cidades arrasadas pelas bombas, o cineasta mostra a difícil situação dos refugiados. Famílias inteiras abandonam tudo o que possuem para fugir da fome e das guerras, buscando segurança e uma nova chance num país estrangeiro. Muitas vidas são perdidas durante essa espera, que não tem data para acabar. Homens, mulheres, crianças e idosos tentam manter a dignidade, passando por todo tipo de privação e insegurança, enquanto aguardam uma solução a longo prazo, já que a política de fechamento das fronteiras impede o livre deslocamento das pessoas, alongando o seu sofrimento. 

Mais que mostrar a situação desesperadora vivida pelos refugiados, o documentarista Ai Weiwei denuncia a política excludente dos países da Europa, Ásia e África que estão violando os direitos humanos ao fechar suas fronteiras e não dar condições de passagem, abrigo e proteção de populações inteiras. Cerca de 13 mil refugiados esperam a reabertura da fronteira macedônica para chegar à Alemanha. E faz um comparativo: quando o muro de Berlim caiu, em 1989, 11 países tinham suas fronteiras cercadas. Em 2016, esse número aumentou para 70 países.  Também aborda a crise das fronteiras na América, principalmente entre México e EUA.

Vistos como formigas num formigueiro, o olhar de Ai Weiwei mostra a luta dessas pessoas pela sobrevivência. Ele humaniza as manchetes dos jornais, dando-lhes rosto e voz. Capta histórias comoventes, apresentando dados reais dessa tragédia humana. Denuncia a falta de comprometimento dos países que na prática rejeitaram a convenção da ONU sobre refugiados (1951), que regula o status social dos refugiados, devendo ser aplicada sem discriminação por raça, sexo, religião e país de origem. Apresenta histórias de violação dos direitos humanos e de limpeza étnica. Acompanha o trabalho voluntário e governamental nos campos de refugiados, na travessia das fronteiras, em 23 países, incluíndo Iraque, Afeganistão, Bangladesh, França, Grécia, Alemanha, Israel, Itália, Quênia, México e Peru. 

O filme é uma denúncia poética, que reúne dados jornalísticos, históricos e filosofia, mostrando que a civilização começa pelo respeito aos direitos humanos. O documentário é uma verdadeira reflexão sobre a crise dos refugiados, sendo um grito de socorro para que a população mundial esteja ciente do que está realmente acontecendo na região das fronteiras e pressione os países a realizarem uma política humanitária mais efetiva. 

Elisabete Estumano Freire







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