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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Cineclube Sala Escura apresenta "Tres tristes tigres", um clássico do cinema chileno, de Raúl Ruiz



Filme será exibido dia 25 de Agosto (quinta-feira), às 18h30, na Cinemateca do MAM/RJ, em versão recém-restaurada. Entrada gratuita.


TRES TRISTES TIGRES
Chile, 1968
94min, P&B, Leg. em Português

Direção e Roteiro: Raúl Ruiz
Fotografia: Diego Bonacina
Som: Jorge Di Lauro
Música: Tomás Lefever
Montagem: Carlos Piaggio
Elenco: Nelson Villagra, Shenda Román, Luis Alarcón, Jaime Vadell, Delfina Guzmán

O Cineclube Sala Escura – Sessão Latina UFF, com o apoio da Cineteca Nacional de Chile, rende uma homenagem a Raúl Ruiz, que completaria 75 anos esse ano e, nesse mês de agosto, faz cinco anos que o perdemos.

Tito é um simplório e irresponsável provinciano que chega a Santiago para trabalhar sob as ordens de Rudy, um arrivista vendedor de carros. Durante um fim de semana, enquanto Rudy espera que Tito traga os documentos necessários para uma venda, este se dedica a farrear com a sua irmã Amanda, uma stripper que, nos tempos livres, ganha a vida como prostituta. Em um determinado momento, Lucho, um professor de Angol, localidade ao sul do Chile, se junta ao grupo. Os personagens buscam a felicidade utópica ainda que efêmera nos bares, becos e pensões de má fama da Capital. Baseado na obra teatral de Alejandro Sieveking.

É o primeiro longa-metragem finalizado de Raúl Ruiz, que apesar de ser considerado um dos filmes mais importantes do cinema chileno, teve em sua época de lançamento um sucesso relativo de público e uma morna recepção por parte da crítica. Após o Golpe de Estado de 1973 e o exílio de Ruiz, o filme adquire o status de mito, voltando a ser revisto no Chile somente nos anos 1990, graças a uma cópia encontrada no Uruguai. A presente cópia a ser exibida é a versão recentemente restaurada na França.

Raúl Ruiz é o mais singular, inclassificável e prolífico cineasta chileno de todos os tempos. Nascido em Puerto Montt, em 25 de julho de 1941, estuda Teologia e Direito, mas abandona tudo para se dedicar ao cinema. Parte então para a célebre escola de cinema em Santa Fé, na Argentina, fundada e dirigida por Fernando Birri, mas se desilude com o curso, excessivamente voltado para a realidade, segundo ele. Retorna a Santiago, onde trabalha como apresentador televisivo de esportes e realiza o seu primeiro curta, La maleta (1963), finalizada 45 anos depois, ao ser encontrado os seus negativos na Cinemateca da Universidade do Chile nos anos 2000. Em 1964, viaja para Buenos Aires, onde roda o curta El regreso, com o ator chileno radicado na Argentina, Lautaro Murúa. O filme não é finalizado. Em seguida, parte para o México, onde trabalha como roteirista para a TV, ofício que continua após retornar ao Chile, onde adapta vários livros e peças para teledramas. Uma dessas adaptações inspira um projeto de longa-metragem, em 1967, intitulado El tango del viudo, para o qual dirige dois importantes nomes oriundos do teatro universitário chileno, Luis Alarcón e Shenda Román, com quem Ruiz voltará a trabalhar. O projeto não é finalizado. Em seguida, Ruiz funda uma produtora, Los Capitanes, em homenagem a seu pai e aos amigos dele, homens do mar. É com essa produtora que Ruiz adapta a peça homônima do prestigiado dramaturgo chileno, Sieveking. Tres tristes tigres é o seu primeiro longa finalizado, sendo premiado no Festival de Locarno. Durante os anos da Unidad Popular, Ruiz realiza vários documentários e ficções, preocupado em registrar o processo político que o país vivia. Destacam-se o longa documental Ahora te vamos a te llamar hermano (1971), sobre o tema mapuche, e o longa ficcional Palomita blanca (1973), adaptação do livro homônimo de Enrique Lafourcade, finalizada 20 anos depois, após a redemocratização do país. Com o Golpe, Ruiz parte para o exílio, primeiro para a Alemanha Ocidental e, em seguida, para a França. Traça uma visão irônica da esquerda chilena no longa ficcional Diálogos de exiliados (1974). A partir de 1976, graças a encomendas do INA (Institut National de l’Audiovisuel), consegue se estabilizar profissionalmente na França, país onde se fixa e realiza boa parte de sua obra. A partir dos anos 1980 seus filmes ganham extrema visibilidade internacional. Em 2002, realiza uma série televisiva no Chile sobre o país, intitulado Cofralandes. No final da década, dirige e escreve dois longas de ficção rodados inteiramente no Chile, La recta provincia(2007) e La noche de enfrente (2012). Falece em Paris, em 19 de agosto de 2011, durante a realização do projeto do longa ficcional As linhas de Wellington, produção franco-portuguesa, cuja direção é em seguida assumida por sua esposa, a realizadora e montadora Valeria Sarmiento.

Fabián Núñez


Cineclube Sala Escura é uma atividade de extensão da Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano (PRALA), vinculada ao Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

 Serviço:

Dia 25 de Agosto de 2016
Quinta-feira, às 18h30min

Cinemateca do MAM
Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro

EXIBIÇÃO DA VERSÃO RECÉM-RESTAURADA
ENTRADA GRATUITA







Fonte: 

Fabián Núñez
Professor Adjunto
Universidade Federal Fluminense
Departamento de Cinema e Vídeo
Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino-Americano
Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual

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