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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Documentário 'Dedo na Ferida' de Silvio Tendler aborda a crise política e financeira no Brasil e no mundo

Filme está em cartaz nos cinemas do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Porto Alegre

Eleito como melhor documentário no Festival do Rio 2017, e recentemente premiado com menção honrosa na Mostra Competitiva do Festival de Cinema Político da Argentina (FICIP), em Buenos Aires, "Dedo na Ferida", de Silvio Tendler, estreou no último dia 31 de Maio em quatro capitais brasileiras. O filme discute a lógica do capital e o controle que a elite financeira dos países tem sobre as democracias nacionais, principalmente das nações mais pobres.

De uma maneira quase didática, o cineasta apresenta as crises do capitalismo, desde a quebra da Bolsa de Nova Yorque, em 1929, até o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, em 2008. O filme mostra ainda as consequências da crise no Brasil e no mundo, com o fim do Estado de Bem Estar Social. 

Para traçar um panorama do cenário contemporâneo mundial, Tendler realizou várias entrevistas no Brasil e em vários países. Registrou depoimentos de cineastas, jornalistas, políticos, sindicalistas, historiadores e economistas. Entre os quais, podemos citar: o ex-ministro de finanças da Grécia, Yanis Varoufakis; o ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim; o vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento -Brics, Paulo Nogueira Batista Jr; o cineasta Costa-Gravas; intelectuais das Universidades de Coimbra (Portugal), Universidade de Nova Iorque (EUA), Universidade Carlos III (Espanha); além de economistas da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP).

O documentário faz uma análise do retrocesso ideológico no Brasil e no mundo, com o aumento do conservadorismo. Revela dados da economia mundial, comparando o crescimento da pobreza e a falência dos Estados Nacionais, com o fortalecimento do poder das grandes corporações financeiras e midiáticas. Através de um narrativa analítica, o filme descortina o modo como essas elites interferem nas políticas dos países, dando enfoque às democracias da América Latina, assim como Portugal, Espanha e Grécia. 

Apesar de trabalhar com um assunto árido, a economia mundial, Tendler consegue dar o seu recado. Com um discurso direto, "Dedo na Ferida" aponta as desigualdades sociais, relacionando os reflexos da crise financeira internacional com o cotidiano das populações carentes. Com a ajuda da história, da economia e da filosofia, o cineasta faz um paralelo entre dois mundos que parecem distantes, mas são duas faces da mesma moeda: a riqueza de poucos é responsável pela miséria de muitos. 


A partir de uma análise série e honesta sobre a lógica e as ações do capital em nível global, mostra como uma pequena elite, formada por bancos, seguradoras, fundos de investimento, grandes corporações empresariais e conglomerados de mídia, comanda os destinos dos recursos do planeta.

O filme confronta a realidade da periferia pobre do Brasil com a lógica do capital, mostrando como as políticas governamentais protegem e beneficiam as grandes corporações financeiras. Como resultado, apresenta as tensões sociais, conflitos, dramas de comunidades inteiras e tragédias pessoais. 

Em 48 anos de carreira, Silvio Tendler produziu e dirigiu 80 obras, sempre pautado por um olhar de cunho histórico e social, com ética e responsabilidade. Seu mais recente trabalho, "Dedo na Ferida" é, acima de tudo, um filme denúncia sobre o panorama da política financeira internacional e como ela afeta o Brasil e os demais países ao redor do mundo. Um documentário que mistura uma reflexão poética com a sofrida realidade dos fatos políticos atuais.

Elisabete Estumano Freire.