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quinta-feira, 9 de março de 2017

“NEGAÇÃO”, FILME SOBRE A VERDADE DO HOLOCAUSTO ESTREIA DIA 9 MARÇO


Baseado em fatos reais, o longa “Negação” é a história da batalha legal entre a historiadora norte-americana Deborah E. Lipstadt e o escritor britânico David Irving, que questionou a ocorrência do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).  Dirigido pelo vencedor do Emmy® Mick Jackson (Temple Grandin), o filme é estrelado pela vencedora do Oscar®  Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel, The Lobster), com Timothy Spall (Sr. Turner, O Discurso do Rei), Tom Wilkinson (Conduta de Risco, Entre quatro paredes) e Andrew Scott (“Sherlock”, 007 Contra Spectre).

Rachel Weisz no papel de Deborah E. Lipstadt
Em 1996, a professora e historiadora Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz), Doutora de Estudos Judaicos Modernos e do Holocausto na Universidade Emory, em Atlanta (EUA) é acusada de calúnia e difamação pelo escritor britânico David Irving (Timothy Spall). Especialista em Segunda Guerra Mundial, Irving é um dos principais defensores das Teorias Revisionistas que negam o extermínio deliberado e em massa dos judeus pelos alemães nazistas.  Simpatizante de Adolph Hitler, o autor britânico moveu uma ação contra a historiadora e a editora Penguin Books pelo livro Denying the Holocaust: The Growing Assault on Truth and Memory (na tradução livre, “Negando o Holocausto: O Ataque Crescente à Verdade e à Memória”), também publicado no Reino Unido. David Irving pedia danos morais por LIpstadt tê-lo chamado de negador do Holocausto e extremista de direita. Pelas leis britânicas, o ônus da prova recai sobre o réu e não sobre o acusador, fazendo com que Deborah tivesse que provar na justiça que a alegação do crime de calúnia era falsa, já que o Holocausto realmente aconteceu.

O ator Timothy Spall interpretando o escritor David Irving 
A idéia de produzir o filme surgiu em 2008, quando o produtor Russ Krasnoff (O solista, Minha Querida Dama), tomou conhecimento do trabalho de Deborah Lipstadt. “A universidade tinha acabado de anunciar uma bolsa de US$ 1 milhão para traduzir partes de seu site baseado em Emory, HDOT: Holocaust Denial on Trial (www.hdot.org), que arquiva todos os materiais do seu julgamento, em farsi, árabe, russo e turco. “Eu pensei como era incrível que uma universidade fizesse isso e quis saber mais sobre ela.”. Krasnoff  e o produtor Gary Foster (Sintonia de Amor, O jogo da paixão) realizaram uma pesquisa preliminar sobre o assunto, que revelou que a negação do Holocausto era muito mais difundida do que eles imaginavam. As teorias revisionistas possuem várias vozes proeminentes nos EUA e Europa, assim como no Oriente Médio – notadamente pelo então presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. “Eram apenas opiniões transformadas em fatos”, diz Foster. “Você pode ter uma convicção, uma paixão, uma crença — mas isso não as tornam fatos. Essa foi uma das grandes razões da nossa decisão de fazer o filme e lutar por ele durante os oito anos que levou para levá-lo para a tela.”

O trabalho de adaptação do livro “Negação: A historia do Holocausto em julgamento”, de Deborah E. Lipstadt, para o cinema ficou a cargo do roteirista David Hare, indicado ao BAFTA e ao OSCAR pelo filme O Leitor, que também gira em torno de um julgamento de crimes de guerra nazista. A preocupação em defender a verdade histórica e fazer com que o longa fosse o mais fiel possível aos fatos fez com que Hare analisasse vários documentos oficiais para fundamentar as cenas do tribunal.  “Levei quatro ou cinco horas para ler um único dia no tribunal", ele diz. "Então você pode imaginar a minha reação inicial: Será que realmente tenho de ler 40 dias de julgamento? Eu não poderia simular dramas que não aconteceram no tribunal.” Todo o diálogo das cenas do tribunal foi tirado textualmente do registro oficial, assim como vários momentos filmados do embate público entre Lipstadt e Irving, como quando ele surge no meio de uma palestra da historiadora, agitando mil dólares no ar e dizendo:  ‘Eu vou dar esse dinheiro a qualquer um que puder provar que Hitler ordenou a matança dos judeus!’. Isso tornou-se uma abertura maravilhosamente dramática para o filme. Entretanto, o longa não é sobre a psicologia de Irving, mas sobre o processo e o ponto de vista da historiadora Deborah E. Lipstadt.
A atriz Rachel Weisz com Deborah E. Lipstadt
Para interpretar Lipstadt foi escalada a atriz britânica Rachel Weisz(O Jardineiro Fiel, The Lobster), que aceitou de pronto o papel por se tratar de um personagem desafiador. “É um papel muito substancioso, interessante”, diz ela, que encontrou-se com historiadora. “Deborah é uma personagem maravilhosa. Passamos tempo juntas em Nova York antes do início da filmagem. Seus livros estão cheios de informações maravilhosas, mas também foi importante ter uma noção de como ela é. Deborah é muito fascinante. Ela é quem ela é e não veio para Londres para se adaptar à cultura. Eu achei que ela é muito franca e de personalidade forte e direta, e muito divertida de estar junto.” Segundo a atriz Lipstadt ajudou-a em todo o andamento do projeto cinematográfico, respondendo todas as perguntas feitas por Weisz. “Ela é muito brilhante e muito didática”, diz Weisz. “Não apenas Deborah é uma professora, mas também é uma contadora de histórias maravilhosa, então não é difícil para ela contar histórias sobre si mesma. Eu não sabia nada sobre a negação do Holocausto. Mas eu estava interessada em saber como ela pode ensinar um assunto tão sensível. Como ela deixa suas emoções de lado enquanto ensina algo que é difícil de suportar? Por ser historiadora, ela consegue manter-se a certa distância.” O diretor Mick Jackson ficou impressionado com a capacidade de Weisz em capturar a essência de Lisptadt na tela. “Ela é uma atriz maravilhosa. Ela gosta de estar no momento. Ela é corajosa como Deborah, além de incisiva, impulsiva e empática. Rachel gosta de mergulhar em uma cena sem nada preconcebido, então tudo parece novo para ela. Sua performance é muito crua, acessível.”

O escritor David Irving
Com um processo judicial em curso, mesmo sem o apoio de toda a comunidade judaica, a historiadora recusou qualquer acordo com David Irving e o caso foi parar nos tribunais, sendo julgado entre janeiro e abril de 2000, num total de 32 dias.  Em sua ação de calúnia, David Irving argumentou que passagens do livro de Lipstadt o acusavam de ser um apologista do nazismo e admirador de Hitler que perverteu fatos e manipulou provas para sustentar suas alegações de que o Holocausto não aconteceu, fazendo parte de um esforço articulado para arruinar sua reputação como historiador.  A equipe jurídica britânica de Lipstadt, liderada pelos advogados Anthony Julius (Andrew Scott) e Richard Rampton (Tom Wilkinson), decidiu por uma estratégia de defesa que se tornou o maior desafio para a historiadora: nem ela e nenhum sobrevivente do Holocausto seriam chamados a depor.

O ator Timothy Spall
Para interpretar David Irving, os produtores chamaram o ator Timothy Spall (Sr. Turner, O Discurso do Rei), com a missão de retratar um personagem difícil e pouco atraente. “Obviamente Irving é o antagonista nesta história”, ele diz. “Na minha carreira, interpretei muitas vezes pessoas que não se encaixam e não me importo. Porém, por mais equivocados que possam parecer os personagens que interpreto, acho que é meu trabalho entender a pessoa, mesmo se eles parecem contradizer o senso comum.”

O ator Tom Wilkinson (Conduta de Risco, Entre quatro paredes) interpreta Richard Rampton, o advogado escocês especializado nos casos de calúnia mais proeminentes da época. Para defender Lipstadt, o advogado teve um ano para se preparar para o julgamento estudando com afinco sobre o Holocausto, já que Irving era fascinado por Hitler e o Terceiro Reich desde a infância.  Rampton até aprendeu alemão nessa época para poder ler os documentos autênticos, na sua forma original. Wilkinson ficou intrigado com a história inusitada de Negação e o modo como o filme escapa do que ele chama de clichês do cinema de gênero. “A história central é sobre um peixe fora d'água”, diz ele. “Existem grandes diferenças entre as culturas, não só de britânicos versus americanos, mas também a cultura judaica. Deborah Lipstadt estava sob uma tremenda pressão de sobreviventes do Holocausto que queriam ser ouvidos pelo mundo. Ela também queria falar no tribunal. Contudo, seus advogados britânicos, bastante frios, disseram: ‘Não, você não pode. Uma vez que você fizer isso, vai ser estraçalhada’.”

Já Andrew Scott (“Sherlock”, 007 Contra Spectre) foi escalado para interpretar o advogado Anthony Julius, o idealizador da estratégia de defesa de Deborah Lipstadt. A inteligência aguçada de Julius pode ser a sua característica mais marcante, diz o ator. “Ele é o dono desse circo. David Hare criou um personagem que não tem romantismo sobre a melhor forma de servir a Deborah e à justiça. Muito do drama e do conflito entre os dois vem da decisão de colocar ou não sobreviventes do Holocausto para depor. Anthony sente fortemente que isso daria legitimidade ao trabalho de Irving. O fato de ele mesmo ser judeu é importante, mas seu trabalho é pensar não com seu coração, mas com sua cabeça.”

O ator Tom Wilkinson
O filme foi filmado inteiramente em Londres, onde ocorreu o processo de calúnia, e algumas cenas foram rodadas na Polônia, no antigo campo de concentração e extermínio nazista Auschwitz-Birkenau, onde mais de 1 milhão de pessoas, em sua maioria judias, foram assassinadas. Entretanto, só filmagens documentais foram feitas dentro do perímetro estabelecido pelas cercas do antigo campo. Nenhuma cena com atores foi rodada do lado de dentro das cercas, em respeito à preservação histórica do local. As cenas com os atores foi rodada em uma antiga base da Força Aérea Real perto de High Wycombe, em Buckinghamshire, Reino Unido, onde a produção construiu pedaços das ruínas de Auschwitz-Birkenau.  Segundo o designer de produção Andrew McAlpine,  responsável por 46 set-ups separados, recriar Auschwitz foi o mais difícil – e o mais importante. “As pessoas ainda têm memórias deste julgamento”, ele diz. “Foi apenas 15 anos atrás. É preciso honrar tanto os membros do público que estavam seguindo o julgamento quanto as vítimas do Holocausto. É disso que se tratava o julgamento. O desafio era ter a certeza de que Auschwitz, que é solo sagrado, fosse representado de uma forma convincente para alguém que já esteve lá. Tivemos que recriá-lo de maneira autêntica para honrar a memória de todas as pessoas.”

Uma das imagens recorrentes do filme, que representa a coragem de Lipstadt, é a estátua de bronze de 1902 da rainha guerreira Boadicea em sua biga de guerra no Embankment, em Londres, pela qual Lipstadt regularmente passa quando está correndo. A lendária heroína celta, conhecida por sua audácia em batalhas, rebelou-se contra os invasores romanos, muito mais poderosos, inspirando dezenas de milhares de pessoas a segui-la e quase expulsando as forças superiores para fora da Grã-Bretanha. Deborah E. Lipstadt acredita que o filme oferece a ela uma oportunidade de levar o trabalho de sua vida adiante: “Quero que as pessoas entendam que o Holocausto é o mais bem documentado genocídio do mundo. Não há como negá-lo. Você pode discutir certos aspectos – por que aconteceu, como aconteceu, mas não o fato de que ele aconteceu. É fato incontroverso. Isso não pode ser debatido. E isso não é ter a cabeça fechada, é reconhecer a verdade.”

O diretor Mick Jackson no set de filmagem
De acordo com o diretor do filme, Mick Jackson, que tirou sua inspiração visual de artistas do iluminismo, o julgamento teve um efeito duradouro no mundo. “Se Deborah Lipstadt tivesse perdido, isso teria um efeito negativo sobre todos os outros casos semelhantes”, ele diz. “Todas as coisas que eram controversas teriam sido muito difíceis de litigar, porque as pessoas teriam ficado com medo de perder. Como Richard Rampton disse após o veredito, ele não trará nenhuma pessoa de volta. Mas, agora, nenhum historiador sensato pode jamais duvidar de que o Holocausto aconteceu.”

Elisabete Estumano Freire

(*Texto com informações e trechos de entrevistas extraídas do material de imprensa EPK, fornecido pela Blacker Street. Fonte:Primeiro Plano Assessoria de Imprensa)





Imprensa (2)Trailer/Divulgação

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