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sexta-feira, 31 de março de 2017

Documentário sobre a cultura do estupro será exibido no Festival Mostra do Filme Livre


No dia 06 e 15 de abril, o Festival Mostra do Filme Livre exibirá, no Centro Cultural Banco do Brasil, exibe o documentário O mais barulhento silêncio, da diretora baiana Marccela Moreno, 27 anos. O filme é uma denúncia à cultura do estupro, feita a partir de relatos verídicos, dramatizados por atrizes em monólogos tocantes. "O cenário escolhido foi um canteiro de obras. O local está repleto de concreto e ferro, e no meio disso, a gente montou um quarto com elementos que remetem à ‘’pureza’’ e à sexualidade da mulher, como um vestido branco, uma cama branca e rosas", conta Marccela. "A ideia é desconstruir esse imaginário, fazendo com que as imagens deem mais força aos relatos." No dia 15, após a exibição, ainda será realizado um debate sobre o tema junto à diretora.

Sem medo de se expor, Moreno relata que a ideia surgiu após uma experiência pessoal. "Eu me descobri vítima de estupro e vi que isso não era raro no grupo de mulheres com quem me relaciono." Para a jovem diretora, a cultura do estupro é algo que tem sido pouco abordado nos meios audiovisuais, especialmente no Brasil. Somando a isso, o pouco protagonismo que é dado às mulheres atrás das câmaras e no cinema nacional, Moreno escolheu trabalhar somente com mulheres no set de filmagem.

Filmado no Rio de Janeiro, onde a jovem diretora mora há quatro anos, o documentário já começou a circular pela cidade. Foi exibido duas vezes durante a ocupação do Palácio Gustavo Capanema, sede do Ministério da Cultura; foi exibido em escolas de ensino médio ocupadas; e também na ocupação do Colégio Pedro II. Já em Salvador, constou na programação do Congresso Internacional de Violência Doméstica, em setembro de 2016 e também no Panorama Internacional Coisa de Cinema. Passou pelo estado de Minas Gerais, sendo exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes e Mostra de Cinema Feminista em Belo Horizonte. Fora do país, foi exibido no Festival Málaga Espanha, em março, e foi o único filme latino de sua categoria e no Festival Kinoki, na Cidade do México.

Proveniente de Salvador, Moreno atualmente estuda cinema na PUC-Rio e já conta com um portfólio bem avaliado. Entre seus curtas, destacam-se Lemon Lips, que também já foi exibido pelo Panorama Coisa de Cinema, em 2011; e Por acaso, a cidade, em que ela não só dirige (em parceria), mas também atua, e que levou o prêmio de melhor filme no Festival Curta na UERJ, em 2013. O mais barulhento silêncio é sua primeira experiência com o gênero documentário.

"Esse é um filme necessário nesse momento tão difícil em nosso país, que passa uma onda conservadora, na qual as minorias estão arriscadas a perder seus direitos, conquistados com tanta luta", avalia a diretora. "Mas o filme é também um reflexo de nossa resistência. Nós decidimos romper esse silêncio ante os estupros de nossos corpos e almas enquanto mulheres."

Confira ainda a programação do Festival Mostra do Filme Livre 2017



Fonte: Andrezza Nicolau


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